2020, 2021, tempos diferentes, tempos especiais. Não deve haver, nesse nosso mundo globalizado, alguém que ainda não saiba da pandemia e todos os entornos dela. Como é sabido, nada está funcionando da forma que conhecíamos como usual, nada. Eleições sendo adiadas (como na Itália, por exemplo), as Olimpíadas, universidades com aulas sendo somente via internet, hospitais cheios, só para citar alguns exemplos.
A NBA não ficou de fora. A temporada passada já havia sido interrompida e só teve sua continuação numa bolha criada em Orlando, com uma série de rígidos protocolos a serem seguidos e com o não término da temporada pelas equipes que não teriam condições de almejar os playoffs. Uma fortuna gasta para que o show não parasse. Uma forma segura, com um total de zero casos dentro da bolha. Gasto que decidiram não repetir, nessa temporada de 20/21 foi decidido que cada franquia mandaria seus jogos em seus respectivos ginásios, em suas respectivas cidades. E com essa e algumas outras mudanças, o protocolo acabou ficando mais flexível e casos e casos acabaram aparecendo entre os jogadores. Houveram jogos adiados por equipes com falta de jogadores disponíveis e até o absurdo de jogador disputar um tempo e o resultado de positivo sair no meio do jogo e ser isolado.
Outras mudanças que houve foram a redução de 82 para 72 jogos na temporada regular e a não realização do All Star Game, porém, em fevereiro, houve o anúncio de que o All Star aconteceria, em Atlanta, só que com reduçõesão, seria só num domingo ao invés dos três dias tradicionais e sem o jogo das celebridades. O evento foi nesse último dia 7 de março, mesmo com vários jogadores, de peso inclusive , como LeBron James, criticando (e com razão) abertamente a promoção, o acontecimento dele.
Tudo isso sem nem ter contado do entorno ainda, Estados Unidos da América chegando a 500 mil mortes no início de março, sempre liderando os rankings de contaminados e mortos. 500 mil pessoas, 500 mil vidas, 500 mil, meio milhão. É mais gente que a população de muitas cidades pelo mundo afora, é mais que a população inteira do estado de Roraima, por exemplo (que, de acordo com o google, são 496 936 habitantes).
Entre essas pessoas tiveram parentes de jogadores, Karl Anthony Towns, pivô do Minnesota Timberwolves, por exemplo, perdeu 7, sete, parentes, dentre eles sua mãe e um tio muito próximo. E tudo isso me leva a uma pergunta, será que precisava voltar tudo do jeito que voltou? Será que compensa expôr os jogadores dessa forma? Eu não sei.
Há quem argumente que sim, que mesmo relevando a parte econômica, ( o que normalmente não ocorre. Na maioria das vezes é a parte que mais pesa e, aqui no caso, continuar o show seja provavelmente o "mais barato", o "melhor" ) a volta do esporte, da NBA, do futebol, como entretenimento dá/acaba entretendo e assim acalmando um pouco quem consome, dando um pouco de noção de normalidade, mesmo que com ginásios e estádios vazios. Mas mesmo assim eu fico na dúvida, vidas não são números, não são cifras, será que compensa mesmo voltar ? Será que tem clima para isso? Eu realmente não sei. E isso aqui não é uma cobrança ao Adam Silver ou a outro dirigente, provavelmente no lugar deles eu faria parecido, isso aqui é para a reflexão, para todos nós. Quando as ligas e a NBA pararam, no meio do ano passado, eu realmente senti um baque e quando voltaram eu também senti um alívio, mas eu não sei se compensa/compensou. Não sei.
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