Quantas
vezes já nos encontramos na situação de estarmos na rua, caminhando rapidamente
para algum local, as vezes atrasados para uma aula, ou para algum compromisso
de trabalho? Quantas vezes passamos por pessoas, por rostos, que nunca mais
veremos ou que nunca saberemos quais eram os pensamentos ou rumos?
Esse
tipo de pensamento me assola por vezes, ao caminhar. A curiosidade de saber por
quem passo, ou no que ela estava pensando me faz levantar questões se estava
com problemas ou não e se quem sabe um gesto fraterno de um desconhecido talvez
mudasse o dia de alguém. Ao mesmo tempo em que penso essas situações, recebo
sempre um choque de realidade por saber que meus questionamentos nunca serão
respondidos ou terão algum tipo de relevância e nessas horas me junto ao mar
pessoas e sigo o fluxo, me prendendo novamente aos meus problemas e esquecendo
a existência dos meus colegas de rua, assim como é feito de maneira recíproca.
Essa
realidade me faz lembrar a minha infância, em que assistia um desenho que tinha
como música de abertura logo no início o trecho: “Corre, corre da cidade
grande, tanta gente passa, estou só...”. A música se aprofunda mais, sobre essa
parte inicial, mas com certeza essa é a mais marcante para mim, primeiramente,
pelo tom melancólico, que a música de um desenho infato juvenil possuí e
principalmente, por ela ser a realidade, nua e crua, em que vivemos, no qual
esse modus operandi, que a sociedade
atual vive, em que temos de viver na correria, nos afasta da empatia ao próximo
e nos obriga a aderir a essa odisseia, porque tudo gira em torno da busca por
uma melhor qualidade de vida e hoje, os meios são através do dinheiro e como
diria o ditado popular “Tempo é dinheiro”, e dessa forma acabamos por entrar
num ciclo vicioso de vida em sociedade, mas sem a vida, em sociedade.
Se
Charles Chaplin vivesse hoje, poderia fazer um reboot de seu aclamado filme “Tempos
Modernos” (talvez com os dizeres “Tempos mais modernos”?), visto que passados
quase um século, a sociedade parece continuar mecanizada em seus alicerces, as
pessoas parecem seguir cometendo os mesmo erros, coisas que por vezes parecia
ultrapassado ou mesmo superado, voltam à tona, como se fosse designado, que nós
perdêssemos sempre a capacidade viver em grupo, de nos comunicarmos ou mesmo de
nos aceitarmos, cada um à sua maneira. Assim, mesmo em um mundo tão
globalizado, em que parecemos estar tão próximos, como nunca visto, um
sentimento de curiosidade ou de interesse pela pessoa que passa ao seu lado
corre, corre das ruas da cidade, talvez seja estranho ou mesmo coisa de louco.
Essa é a primeira crônica, no novo formato que o blog vai ter, indo além dos textos futebolísticos. Se gostou, deixe seu comentário, críticas e sugestão de formatos são mais que bem vindas, para que assim, possamos melhorar cada vez mais nosso conteúdo!
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